A existência de doenças periodontais também eleva o risco de agravar a condição de pacientes já diabéticos ou em estado de pré-diabetes

Pessoas com diabetes apresentam maior risco para doenças periodontais. Foto: iStockO paciente com diabetes tem uma dificuldade maior na cicatrização e uma facilidade maior para contrair infecções. Foto: iStockEle sofre mais com doenças gengivais e periodontais. Foto: iStockO paciente também pode desenvolver a xerostomia [boca seca], condição que é uma porta de entrada para várias doenças. Foto: iStockExistem estudos que comprovam que a diabete mal controlada agrava e modifica as doenças periodontais. Foto: iStockAs doenças periodontais também agravam e modificam as taxas glicêmicas. Foto: iStockA doença gengival acontece devido ao acúmulo de bactérias ao redor dos dentes. Foto: ThinkstockO primeiro sinal da gengivite é o sangramento gengival. Foto: Thinkstock PhotosEm estágios mais avançados acontece a periodontite, quando a doença atinge o osso que suporta o dente. Foto: iStockO tratamento da gengivite é feito por meio da raspagem do biofilme e limpeza. Foto: iStockO odontólogo também poderá fazer um teste glicêmico com o paciente e ainda encaminhar o paciente ao médico para que ambos atuem em conjunto. Foto: iStockPaciente que têm diabetes exigem um cuidado maior, a anestesia que é aplicada nesse paciente é diferente. Foto: iStockÉ preciso evitar ao máximo o tabagismo; se usar prótese tem que fazer uma limpeza adequada e voltar sempre para regular. Foto: iStock


Estima-se que 12 milhões de pessoas tenham diabetes no Brasil – esse número é ainda mais preocupante porque muitas ainda desconhecem sua condição. Pessoas com diabetes apresentam maior risco para doenças periodontais, como gengivite e a própria doença periodontal que, no limite, pode levar à perda do dente. Porém, esse é um problema de mão dupla: a doença periodontal também eleva o risco para alteração na taxa de glicose, o que causa transtornos de saúde para pacientes em condição de pré-diabetes ou já diabéticos.

Segundo o ortodontista Sylvio Simioni (CRO-SP: 99 707), da Simioni Odontologia, o paciente com diabetes “tem uma dificuldade maior na cicatrização e uma facilidade maior para contrair infecções bacterianas, por isso, ele sofre mais com doenças gengivais e periodontais. O paciente também pode desenvolver a xerostomia [boca seca], condição que é uma porta de entrada para várias doenças como cáries ou infecção por fungos, que é mais comum por quem usa dentadura, além de uma série de outros problemas bucais”.

“Existem estudos que comprovam que a diabete mal controlada agrava e modifica as doenças periodontais. As doenças periodontais também agravam e modificam as taxas glicêmicas. Os pacientes que não têm um controle do índice glicêmico apresentam um risco para maior para infecções bacterianas e maior dificuldade de combater essas bactérias”, avalia a implantodontista Aline Garcia Iunes (CRO-SP: 105 369).

A doença gengival acontece devido ao acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, que forma o biofilme e posteriormente causa a inflamação da gengiva. O primeiro sinal da gengivite é o sangramento gengival – caso o sangramento seja recorrente é importante consultar um dentista para que ele faça o diagnóstico correto e dê início ao tratamento. “Em estágios mais avançados acontece a periodontite, quando a doença atinge o osso que suporta o dente. Nesses casos pode ter ocorrência de pus e uma série de outras complicações”, analisa Sylvio.

O tratamento da gengivite é feito por meio da raspagem do biofilme e limpeza. A recomendação é que seja feito acompanhamento semestral, ou até trimestral, para o controle da gengivite. Já a prevenção é simples: “O primeiro passo é manter a glicemia controlada. A seguir é necessário fazer uma higienização adequada com escovas macias, de cabeça pequena, usar o fio dental e, se possível usar exaguante bucal sem álcool e com flúor”, recomenda Aline.

Se o paciente não informar ao dentista sobre sua condição de diabético, o especialista poderá identifica-la por meio da entrevista com o paciente, que irá responder algumas perguntas básicas sobre sua saúde. O odontólogo também poderá fazer um teste glicêmico com o paciente e ainda encaminhar o paciente ao médico para que ambos atuem em conjunto.

“Paciente que têm diabetes exigem um cuidado maior, a anestesia que é aplicada nesse paciente é diferente. Nesse caso usa-se a anestesia sem adrenalina porque a substância a taxa de glicemia, causando uma crise de hiperglicemia. Outro ponto que os pacientes devem se atentar é para o horário da consulta: o período da manhã é mais indicado, pois ocorre logo após a primeira dose de insulina”, explica Sylvio.

Aline concorda que há necessidade de cuidados específicos pelos pacientes diabéticos com a saúde bucal: “É preciso evitar ao máximo o tabagismo; se usar prótese tem que fazer uma limpeza adequada e voltar sempre para regular; se ele usar aparelho, terá que adotar o máximo de cuidado para evitar que se forme uma lesão por conta de um bracket quebrado, por exemplo. O ideal é que o paciente informe há quanto tempo ele tem diabetes, quais medicamentos usa, se já foi especializado, se houve alguma crise de hipoglicemia. Se a diabetes estiver descompensada, é contraindicado realizar cirurgias e tratamentos até que a situação seja controlada”.