Para dentes saudáveis, invista em alimentos ricos em cálcio e no banho de sol; danos causados pela falta do nutriente são permanentes

Formação dos dentes de leite se dá durante a fase intrauterina e dos permanentes ocorre ao longo dos primeiros anos de vida
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Formação dos dentes de leite se dá durante a fase intrauterina e dos permanentes ocorre ao longo dos primeiros anos de vida

O leite e seus derivados, além das verduras de cor verde escura, são sempre recomendados para quem quer dentes bonitos e saudáveis. O motivo é que esses alimentos são ricos em cálcio, nutriente fundamental para a formação dos dentes. A carência da substância, chamada de hipocalcemia, afeta a formação do esmalte.

O diagnóstico da carência de cálcio é realizado por meio de exames. Segundo Veridiana Salles F. Oliveira, mestre e doutora em odontopediatria e docente de Odontologia do Centro Universitário Newton Paiva, a hipocalcemia durante a formação dos dentes, tanto os de leite quanto os permanentes, altera o aspecto do esmalte, que irá adquirir um tom esbranquiçado e uma anatomia diferenciada em termos de estrutura. “Chamamos esse quadro de hipoplasia de esmalte. Porém, a hipoplasia também pode ser causada por fatores sistêmicos, problemas metabólicos, nutricionais, medicamentosos, nascimento prematuro e fatores locais”, explica Veridiana.

A formação dos dentes de leite se dá durante a fase intrauterina e dos permanentes, ao longo dos primeiros anos de vida. Crianças com quadro de desnutrição e baixa absorção de vitaminas A, D, cálcio e fosfato poderão apresentar má-formação da coroa dos dentes permanentes. Vale destacar que não há um índice mínimo de ingestão de cálcio, a quantidade varia de pessoa para pessoa.

>> Veja alimentos que são ótimas fontes de cálcio:

A formação dos dentes de leite se dá na fase intrauterina. Gestantes devem comer alimentos ricos em cálcio para garantir dentes saudáveis ao bebê. Foto: iStockJá os dentes permanentes são formados nos primeiros anos de vida da criança – uma forte razão para dar atenção extra à alimentação dos pequenos. Foto: iStockO leite é parte da alimentação do brasileiro e uma excelente fonte de cálcio: um copo de 200 ml de leite possui, aproximadamente, 240mg do nutriente, além de 200 UIs de vitamina D. Foto: iStockAposte no iogurte desnatado que contém 310mg de cálcio e é menos calórico do que a versão integral. Foto: iStockO tofu é uma opção de fonte de cálcio de origem vegetal. Em 100g de tofu é possível obter 159mg do nutriente. O alimento também apresenta baixo valor calórico: apenas 70 kcal em 100g. Foto: iStockSardinha é um peixe fácil de encontrar em todo país e é rico em cálcio. Uma lata de sardinha contém 368g de cálcio – uma porção de 60g possui mais da substância do que um copo de leite. Foto: iStockUma porção de 100g de aveia contém 300mg de cálcio. De sabor suave, a aveia pode acompanhar frutas ou ser acrescentada a vitaminas, pães e bolos. Foto: iStockEntre as verduras, o espinafre se destaca no quesito cálcio. Uma porção de 100g de espinafre possui 160mg da substância. O espinafre ainda tem a vantagem de poder ser consumido cru ou cozido. Foto: iStockOutra verdura que também faz bonito na tabela é o agrião: 100g da folha contém 120mg de cálcio. O agrião ainda tem altos índices de vitaminas A e C. Foto: iStockO figo é uma fruta com elevado nível de cálcio: a porção de 100g do alimento contém 162mg do nutriente. A fruta também é rica em flavonoides e fenóis, que possuem poder antioxidante, ou seja, ajudam a combater o envelhecimento precoce. Foto: iStockUma porção de 100g de salsinha possui 330mg de cálcio. Passe a incluir a salsa nas suas receitas de saladas, sopas e assados. Foto: iStockCorrendo por fora no ranking, está a laranja, fruta bem mais famosa por ser fonte de vitamina C. Porém, a porção de 100g do alimento possui 43mg de cálcio. Foto: iStock

“O esmalte dentário tem 99% de hidroxiapatita, substância formada por cálcio e fosfato. Quanto ao déficit de cálcio, também podemos pensar em alterações do osso que suporta os dentes, cuja estrutura pode ser comprometida. O dente mal formado é menos resistente, mais sensível e possui mais substâncias orgânicas do que a hidroxiapatita. Quando o esmalte dos dentes é defeituoso, se houver placa bacteriana, ele poderá sofrer de forma mais intensa os danos causados pelas cáries”, explica Veridiana.

A hipoplasia do esmalte também pode ter causas sistemáticas, afetando apenas grupos de dentes que se formaram em determinada época. Também há casos de hipoplasia hereditária, cuja causa não está relacionada com a absorção de cálcio.

Vitamina D

A baixa absorção do nutriente pode estar relacionada ao déficit de vitamina D, como explica Fabiano Fonseca Souza, médico nutrólogo da comunidade online Saluspot: “Muitos casos de carência de cálcio estão relacionados à falta de vitamina D. Além disso, o consumo excessivo de alimentos ricos em fósforo dificulta a absorção do cálcio”.  A carência de vitamina D ainda pode prejudicar a osteointegração de implantes por pacientes idosos devido a falhas na etapa de calcificação, relata Fernando.

Quinze minutos diários de exposição ao sol, em média, já são suficientes para o nosso organismo sintetizar a vitamina D. Se for detectada a carência do nutriente, a rede pública de saúde conta com suplementos que são associados ao cálcio. 

A má notícia é que os danos causados pela falta de cálcio durante a formação dos dentes são permanentes: “A partir do momento que a coroa dos dentes está formada, o processo é irreversível”, diz Veridiana. Porém, o dentista poderá fazer procedimentos para minimizar e conter os problemas de saúde e estéticos, de acordo com o grau de comprometimento e localização do dente. “Há tratamentos do tipo microabrasão, clareamento para hipoplasias mais leves até restaurações, facetas de porcelana e lentes de contato (uma faceta finíssima) para recobrimento. No caso da coroa protética final, ela só pode ser aplicada após concluída a fase de crescimento da criança”, explica Veridiana.

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